Povos e lendas sobre o Mar

Chegada dos Maoris na Nova Zelândia - Louis J. Steele, 1843-1918

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Teanoi e Taburimai

Soldadinho

Ctenochaetus - Imperador, cirurgião, barbeiro

O tubarão e o homem

Nas ilhas Gilbert (Micronésia), conta-se que, muitos e muitos anos atrás, quando o espírito das coisas ainda estava meio misturado, os seres vivos, que hoje vivem em corpos diferentes, eram semelhantes e irmãos.

Assim, o polvo (nakika) é o irmão da enguia (ruki). Nareau, o deus aranha jovem, é o irmão de te-nao, a onda. Taburimai, o ancestral do homem, é o irmão de teanoi, o tubarão

Uma história mítica conta o seguinte: Houve um tempo em que os homens não tinham embarcações. Taburimai e Teanoi sempre tinham sido amigos. Mas se desentenderam por causa dos lugares que cada um escolhia para pescar e pela quantidade de peixe de que precisavam. Teanoi, o espírito tubarão, perseguiu Taburimai. Se não fosse Bakoa, a mãe da árvore Neg-Nguiriki - com a qual se faz canoas -, se não fosse Neg-Nguiriki, Taburimai morreria.

Tempos depois de Teanoi ter dominado os mares, Taburimai casou-se com Bakoa e os dois deram origem aos seres humanos, que usam canoas.

Talvez seja por isso que, até hoje, os homens tentam tomar de volta o domínio dos mares, que o tubarão guarda com a perfeição de seus dentes e a perfeição de caçar e navegar.

 

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                                    Naufrágios no oceano Pacífico

Entre os homens do mar, povos pescadores e navegadores, o naufrágio é o mais temível acontecimento. Significa parentes que não voltam mais, barcos que se perdem ou voltam sozinhos, aos pedaços ou sem a tripulação.

O antropólogo Malinowski (1884-1942) descreveu que, na aldeia Kiriwina, nos arquipélagos da Nova Guiné (no continente da Oceania), os nativos tentam controlar o azar do naufrágio ensinando rezas e encantamentos aos seus familiares. É claro que eles também ensinam técnicas de navegação e transmitem conhecimentos sobre os astros e tempestades.

                                   Bruxas voadoras viram estrelas

Na aldeia Kiriwina, os nativos acreditam que as tempestades, chamadas mulukwasi, e os naufrágios são causados por yoyovas, as bruxas voadoras. As yoyovas ficam invisíveis e voam, causando névoas que encobrem arrecifes, criam abismos e atraem tubarões e caranguejos para devorar os náufragos junto com elas.

As bruxas voadoras ficam reunidas em arrecifes, comendo corais e bebendo água salgada. De longe, elas ouvem o pedido de socorro das pessoas que estão se afogando e vão matá-las.

Cada bruxa deixa uma sósia sua na aldeia e voa com seu kapuana (coco pequeno). Elas se jogam do alto das árvores, atadas em cipós, que se partem e incendeiam. Quando isso acontece, as pessoas podem vê-las sob a forma de estrelas cadentes.

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Encantamentos de defesa

Os navegadores aprendem a se defender das bruxas voadoras. Para eles, as palavras são uma arma. Os encantamentos, ou cânticos mágicos, que os mais velhos ensinam, são a melhor defesa contra essas criaturas. Os navegadores defendem-se das bruxas desejando a elas sua própria maldade. Diante da ameaça da tempestade, os nativos fazem os encantamentos. Os navegadores apegam-se às esculturas do mastro porque elas representam os encantamentos. É muito importante controlar o nervosismo quando se está no mar.

Em um encantamento, um grupo de pessoas diz:

“... idudubila, matala mulukwausi,
escureça a vista das mulukvausi
(bruxa-tempestade) iguyugwayu cega”
Outras respondem:
“Elas enxergam só a névoa.
Não enxergam os lugares,
não enxergam os homens,
enxergam somente a névoa”. 


Se o poder da bruxa for muito forte, e o barco afundar, é preciso afastar os tubarões. O cântico para isso traz a força da vida e da juventude. Ele é mais ou menos assim:

“Homem solteiro,
Mulher, moça jovem,
Mulher, moça jovem,
Homem solteiro, 

Eu empurro para baixo
Eu fecho o corpo
Contra os tubarões

Tubarões de Muwa *
Tubarões de Galeya *
Tubarões de Bonari *
Tubarões de Kauloki *

 

 

 
Eu torço seu pescoço
Eu abro a passagem
Eu chuto o tubarão para o fundo
Retorna para debaixo d'água, ó Tubarão

Morra Tubarão”.

 

*.

praias da região

 

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Origem das bruxas voadoras

As bruxas são criadas por sua próprias mães bruxas. Na maioria das vezes, quando a menina nasce, um pedaço do seu cordão umbilical é enterrado dentro de casa e não nos campos de cultivo, como manda a tradição local.

Se a mãe quiser mesmo que ela seja um bruxa, leva a filha até o mar e dá a ela água salgada para beber.

A partir daí, a menina passa a ter uma sósia e acompanha a mãe nos invisíveis e agourentos vôos noturnos.

Reconhece-se uma menina bruxa pelo sono e pelo seu gosto alimentar.

Quando ela é pequena, dorme no chão frio com sua mãe e não perto das fogueiras.

Ela adora comer peixe cru e carne de porco crua. Assim, vai se acostumando com o gosto que terá o corpo dos náufragos.

Todo mundo tolera as bruxas voadoras, porque sabe que, às vezes, é o feitiço de uma bruxa que defende a pessoa do feitiço de outra bruxa.

Além disso, muitas vezes, as bruxas falam que ouvem as vozes dos náufragos.

Quando recebem seu aviso, os homens vão na direção que as bruxas indicam. Se conseguem ser rápidos, é possível salvar os náufragos.

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                             OUNGEUAOL

Nas Ilhas Palau, uma das 2.200 ilhas da Micronésia  e localizada a leste das Filipinas, entre o Hawai e a Nova Guiné,  ainda hoje os nativos comemoram o Oungeuaol: é a estação do ano em que aparecem os tubarões.


Nessa época os  jovens adultos, em idade de casar,  navegam mais de 10 milhas da costa para procurar tubarões e capturá-los apenas com um laço, feito com fibras vegetais. Esses caçadores usam como isca o peixe voador, uma das espécies que o tubarão cinza gosta de comer. 

Os jovens contam que o tubarão cinza gosta também de ficar à sombra de madeiras ou tronco de arvores flutuando.   
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Nessa ilha, que já foi palco das sangrentas batalhas dos americanos e japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, o comportamento dos tubarões é considerado um agouro ou aviso das coisas que vão acontecer. Um tubarão nadando de costas, por exemplo, é sinal de traição e desentendimento. war

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  Bibliografia:     

marcador Malinowski, Bronislaw. Argonautas do Pacífico ocidental. Os Pensadores. SP, Abril - Cultural, 1978
marcador Martinez, JM; Azaola JM; Ponce, C. Atlas do extraordinário: Mitos e Lendas vol2. España, Ed. Bel Prado, 1966 
marcador Ilhas Palau. Revista Horizonte Geográfico nº 42, dez. 1995 Ano 8

 

Pearl Harbour

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